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Karla Albuquerque, psicóloga clínica, formada pela UniCeub, Brasília-DF, com experiência de mais de 15 anos em atendimento a crianças, adolescentes, adultos e portadores de câncer e hemopatias, tendo realizado inúmeros projetos, em especial voltados para situações de stress, liderança,luto. Atua também como psicoterapeuta em consultório particular em Brasília-DF.

sábado, 2 de junho de 2012

HERANÇA FAMILIAR


HERANÇA FAMILIAR

Será que herdamos apenas os traços físicos, genéticos de uma família ou podemos herdar também comportamentos, manias, maldições? Podemos identificar traços de comportamentos em nossa árvore genealógica?

Na abordagem da terapia familiar leva-se em consideração o efeito das gerações passadas sobre as emoções presentes na geração atual. Tais emoções podem ser identificadas nos padrões de comportamento positivos e negativos dos antepassados, nas lealdades invisíveis entre os membros, na interação, nos conflitos e nas dinâmicas que são transmitidas de avô para pai e para filho.

Podemos dar como exemplo aquela família em que o avô foi um grande médico, o pai se tornou um médico e espera-se que o filho siga o mesmo caminho, cometendo os mesmos erros ou reagindo exageradamente ou reagindo com erros opostos.

Quando pesquisam doenças ou conflitos emocionais, frequentemente encontram raízes em três ou mais gerações na dinâmica familiar de uma família. O terapeuta Bowen diz: “quanto menos uma pessoa é individualizada (Istoé, desenvolveu seu eu exclusivo, verdadeiro), mais ela pode ser influenciada por outros, até finalmente desenvolver uma doença que expressa os problemas das pessoas ao seu redor. Ela é o paciente identificado, quando na realidade é a família que está doente”.

Neste contexto familiar os terapeutas trabalham com uma unidade familiar de três gerações pelo menos, ao invés de trabalhar apenas com um indivíduo isoladamente. Aprendendo assim que os padrões de relacionamento possuem uma estruturação de múltiplas gerações.

Podemos então ser influenciados e manipulados por gerações passadas de nossa família, sem termos consciência desta situação. É o caso de uma família em que todos os filhos mais novos vão morar no exterior ou uma família em que não nascem filhas mulheres.

Nagy Ivan Boszormennyi  e Geraldine Spark,  invisible Loyalties: reciprocity in Intergenerational family Therapy , 1973, relatam:

“Quanto menos ela estiver ciente das obrigações invisíveis acumuladas no passado, por exemplo, por seus pais, mais estará à mercê dessas forças invisíveis. Nas famílias, a unidade do sistema de prestação de contas tende a incluir gerações. De acordo com as Escrituras, são necessárias sete gerações para saldar um pecado maior de um antepassado”.”‘O terapeuta familiar deve aprender como reconstruir uma prestação de contas de justiça por no mínimo três gerações. As crianças, por  causa de sua solidariedade para com os pais, podem ser culpadas pelos avós, que consideram os pais desleais com eles mesmos e com sua família (por exemplo, em assuntos religiosos ou outras tradições). A criança, então, inconscientemente, pode encaixar-se em uma estratégia para exoneração dos pais, ou perpetuar o ônus da culpa para a geração seguinte. Podem-se citar outros exemplos de filhas que foram criadas por parentes respeitáveis, devido á vida vergonhosa de sua mãe, e que decidem procurar a mãe e unir-se a ela; de filhos que sofrem ao esconderem o segredo do suspeito assassinato de sua mãe pela namorada do pai. Basicamente, o maior alívio que essas crianças podem encontrar está na defesa de seus pais a seus próprios olhos, através da compreensão da injustiça das circunstâncias que levaram seus pais a suas ações condenáveis”.

Temos a tendência de repetir qualquer coisa que não perdoamos. Um exemplo é se nossos pais foram excessivamente possessivos ou negligentes, eles e seus antepassados que os educaram precisam ser compreendidos, perdoados e justificados. Se não acharmos o caminho do perdão, nossa reação a seus erros precisará do perdão de nossos filhos – ou mesmo de sete gerações de filhos.

O processo da terapia familiar envolve passos de construção das ações de uma família e seus membros, relembrando sua história familiar, responsabilizando-se e reconhecendo há perpetuação de padrões familiares destrutivos, enaltecendo os pontos fortes da família e construindo novos padrões familiares saudáveis. Podemos também, utilizar o poder da oração:

Compartilhando o coração com Jesus, evocando recordações de familiares mortos e, dessa forma, permitindo que Jesus chore com você. Ao evocar as recordações, talvez você ache necessário perdoar até mesmo Jesus (por exemplo, pela família em que ele o colocou, por permitir a separação ou a morte de um determinado familiar etc); desligando os familiares mortos, dando e recebendo perdão pelos padrões familiares destrutivos; dando graças pelas dádivas, pelos padrões construtivos e pela herança positiva que advieram ou advirão dos mortos para você e para as gerações futuras.

É importante identificar aqueles de sua família que mais precisam de cura, uma vez que cada um de nós está relacionado com vários familiares, precisamos determinar quais de nossos antepassados estão relacionados com os comportamentos padrões positivos e negativos que herdamos. Faremos um inventário:

a.      De quem você mais sente falta em sua família?



·       Aqueles que mais amamos e de quem mais sentimos falta podem nos deixar com profundas feridas. (aquele avô que só batia)



·       Aqueles que mais amamos e de quem mais sentimos falta podem ter contribuído com dádivas profundas. (aquele tio que o salvou de uma briga)



·       Aqueles que mais amamos são os que deixam os mais profundos ferimentos e as mais profundas dádivas. (pais que perdem filho e ficam feridos pelo sofrimento não curado, que seus casamentos acabam em divórcio após a perda).



·       A morte de um ente amado deixa um sofrimento. (ao ser perguntado pelo motivo de sua tristeza, a pessoa e conduzida à lembrança da morte, revelando as emoções contidas e lentamente, pode-se levar a pessoa a perdoar Deus e a pessoa que partiu. Ao dar livre curso à sua dor, ela abre mão e descobre que esta curada).



b.      Quem você magoou? Por quem você gostaria de ter feito mais?



·       Podemos ter uma tristeza prolongada, existindo um remorso que pode se expressar no: ”Eu deveria ter...” (uma pessoa que sobreviveu há um acidente pode se sentir culpada. Essa culpa destrutiva pode impedir o processo de cura do sobrevivente).



c.      Quem o magoou ou magoou a outras pessoas?



·       Para perdoar é preciso começar com o perdão por nós mesmos. Só podemos perdoar à outra pessoa quando conseguimos ver a nós mesmos, como igualmente necessitados, ao menos em nossa luta para perdoar;

·       Para descobrimos quem de nossa família nos magoou, passando-nos padrões destrutivos, muitas vezes é útil elabora uma árvore genealógica. Existem alguns objetivos na construção de uma árvore genealógica: primeiro, estabelecer se algum antepassado mostrou evidências  de comportamento inaceitável (padrão de comportamento); em segundo lugar, determinar de quem é a voz, de quem é o espírito inquieto que esta falando com a pessoa que procura ajuda através dela.

·       Através de uma celebração eucarística pelos mortos, a oração pelos antepassados pode ajudar na cura de padrões comuns herdados.geralmente pessoas mais sensíveis ou crianças estão mais abertas à transmissão de padrões dos pais..

·       Quanto mais a pessoa puder amar e perdoar aos antepassados, mais cura ocorre na família.



d.      Quais foram às pessoas menos amadas em sua família? Quem morreu sem sentir que alguém se importava com ele (por exemplo; suicidas, vítimas de mortes repentinas ou violentas, vítimas da guerra, doentes mentais)? Quem era desconhecido ou não desejado (por exemplo; abortos espontâneos ou não e natimortos)?



·       Existem várias explicações de como uma ferida e passada adiante: através de projeções de nosso mal, que podem ser curadas por intercessão ou por outra pessoa igual a nós; a transmissão de lembranças, através de genes ou de aprendizado, a uma criança; o inconsciente coletivo de Jung; a cura de assuntos inacabados; através de orações (estamos tocando não só a lembrança de uma pessoa viva, mas também de um morto, que através de Jesus, recebe amor e, em seguida, tornar-se, por sua vez um intercessor amoroso);

·       Pode haver uma cura dos arquétipos, do inconsciente coletivo, das feridas que herdamos de nossos antepassados, ou cura do pecado original.

·       Ao confrontar com a dor da ferida e rezarmos ou perdoarmos á parte que foi ferida ou aquele que nós feriu, substituímos a influência negativa pelo amor curador que flui para todas as gerações.



e.      Que familiares mais o cumularam de dádivas e de vida (sua herança positiva)?

·       A pessoa se abrir para todos os pontos positivos ou bons da sua linhagem familiar e agradecer por todos os parentes dos quais conseguirem se lembrar ou recordar, auxilia na influência positiva familiar.

·       Compartilhar com os parentes os dons de nossa herança familiar auxilia na evolução da família.

·       Podemos incluir não só os antepassados, como também as sociedades, fundações ou qualquer grupo a que pertenceram e dele cuidaram;



“As feridas nos afetam, mas não nos definem. Todos nós somos dotados de livre arbítrio. Somos responsáveis pelo modo através do qual continuamos a permitir que o resentimento cresça e nos incapacite ainda mais, em vez de, darmos e recebermos  amor misericordioso para que a ferida se torne uma dádiva”.

“Ao aprendermos a perdoar amorosamente os vivos/mortos e aqueles que os feriram, recebemos o dom de amar tudo o que a vida nos apresenta”.

Para realizar a cura da alma muitas vezes precisaremos da ajuda de um psicólogo, para nos curamos de nossa falta de fé podemos procurar um padre e para curar as feridas do corpo devemos buscar um médico.

Reconhecer e identificar que precisamos de ajuda para aliviar nosso sofrimento pode ser o primeiro passo para o alívio do sofrimento. Busque ajuda destes ou de outros profissionais que possam te orientar e encaminhar para o que você precisa. Precisamos apenas achar o caminho mais adequado! Saber que ferramentas usar pode adiantar muito a cura!

Bibliografia:

Terapia Familiar – Conceitos e Métodos. Michael P. Nichols e Richard C. Schwartz. Ed: artmed – 7ª. Edição

Constelações familiares. Bert hellinger e gabriele tem hovel. Editora cultrix.

Cura da dor mais profunda. Matthew Linn, Sheila F. Linn, Dennis Linn editora Verus

O poder do perdão. . Fred Luskin, editor novo paradigma

 Foto e texto karla albuquerque

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